quarta-feira, 2 de março de 2016

TÉCNICOS DO FUTEBOL BRASILEIRO X TREINADORES DE PLAY STATION



Acredito que entendemos o recado em termos técnicos a respeito daquilo que precisamos fazer para nos reafirmar como o país do futebol. Estudar e pesquisar o esporte, aprimorar nossas bases científicas e nos preocupar com a formação de nossos profissionais têm sido foco de preocupação de conceituadas Escolas deste país (UFV e UFMG, por exemplo). Tenho observado muitos colegas investindo até o que não podem em cursos de capacitação e atualização profissional. José Mourinho, recentemente mencionou "conhecimento ao alcance de todos contribui para mediocridade porque as pessoas deixam e produzir o próprio conhecimento." Disse bem, mas fico feliz em afirmar que aqui em nosso país professores universitários têm trabalhado muito para produzir conhecimento e treinadores têm buscado aproveitar essas informações para construir seus modelos de trabalho.
 Pelo menos dentro de campo, é nítido que estamos nos trilhos, com alguma metragem ainda a percorrer.
 A considerar o cenário atual, em breve, mudanças no perfil do treinador brasileiro vão ocorrer. Haverá um tempo, que nossos clubes serão ocupados por treinadores preparados e com interessantes ideias de jogo (colocadas em prática). Vejamos em termos práticos:

Enderson Moreira, Ricardo Drubsky e Marquinhos Santos fazem parte de uma geração que já tem Mano Menezes e Tite (este já a mais tempo no mercado, mas com novas idéias em prática). 


Rogério Micale, na seleção brasileira sub-20, já demostrou ser possível aliar organização tática com o jogo "abrasileirado" de futebol. 
Em breve, profissionais como Diogo Giacomini, André Jardine, Osmar Loss, Marcos Valadares, Cristian de Souza, Bruno Piveti, Marcelo Vilhena, Ricardo Leão de Andrade (este já no Campeonato Mineiro do Módulo I) e Ricardo Resende estarão se juntando a outro talentoso profissional, Leonardo Condé (Bragantino), nas principais competições do futebol brasileiro. E ainda, não podemos deixar de mencionar, voltando de duas ótimas temporadas na maior equipe do futebol Angolano, o nome de Alexandre Grasseli. Todos estes nomes, e poderíamos citar outros tantos, reforçam os argumentos de que existem excelentes treinadores brasileiros em condições de abrilhantar nosso futebol e aproveitar nossos talentos com o "nosso jogo", "bem brasileiro".

Contudo, muito cuidado! Ser novo não é ser bom.
Precisamos nos preocupar com outra parcela de "novos". Aqueles que ficam em casa assistindo clubes europeus (não que seja um problema, mas só europeu???), falam como se entendessem, mas não representam a mudança que o futebol brasileiro precisa. Dá pra reconhecê-los em qualquer roda de conversa, apelidei-os de "treinadores de Play Station", se preferirem, pode ser de "X-Box". Falam bonito, mas não gostam de considerar o fator humano, o ambiente de grupo, o jogador brasileiro e o nosso futebol. Vislumbram em si o terno caro e os aplausos, mais do que qualquer outra coisa. O ego deles é maior do que a língua.  Mesmo assim, tenho certeza que o mercado irá expeli-los, naturalmente. Afinal, não sabem o que é trabalho duro.
Assim entendo como estamos em termos de profissionais. 
Forte abraço!

domingo, 28 de junho de 2015

FUTEBOL BRASILEIRO: ACHO QUE JÁ CHEGA DE AUTO-FLAGELAÇÃO PATRIÓTICA!

     Certo! Paramos no tempo, não estudamos o futebol, caímos na mesmice, fomos ultrapassados por várias seleções, nossas categorias de base não desenvolveram projetos reconhecidos, nossos treinadores estão ultrapassados, nossos jogadores estão desaparecendo, gestão incompetente...blábláblá... e agora?  Chega de auto-flagelação e vamos ver o que acontece de verdade.
     Quando as críticas ao futebol brasileiro viram "mantras", é sinal que os críticos também ficaram ultrapassados ou se tornando papagaios midiáticos. Ao observar nosso desempenho no mundial sub-20, no jogar de equipes de base e pelos jovens técnicos surgindo de forma crescente, podemos considerar aquela máxima que diz que "toda unanimidade é burra". Afinal, não podemos generalizar apenas pelos "grandes", é preciso conhecer toda estrutura, participar de processo e conviver com a realidade no dia-dia para podermos, enfim, emitir uma opinião exata e produtiva. Isso não quer dizer que precisamos fechar os olhos para nosso problemas, mas que precisamos parar de ser simplistas e nos livrar da tão incomoda "síndrome de vira-lata"


     É preciso parar com "picuinhas" de "caça às bruxas" e entender que não se muda um cenário de crise da noite para o dia, pensar o futebol, desenvolver trabalhos e melhorar nossa formação são caminhos obrigatórios. Neste sentido, podemos fundamentalmente constatar e entender que podemos sim produzir conhecimento por aqui, e já acontece. Não são poucas as publicações nas diversas áreas do rendimento esportivo encontradas em nossas escolas, não são poucos os novos treinadores que buscam conhecimento no Brasil. O curso de treinadores da CBF, quer queiram, quer não, é uma relidade, profissionais têm estudado a análise de desempenho e buscado cursos que se disseminam pelo país. Intercâmbio é sempre bom, agrega e enriquece nosso conhecimento, mas ninguém precisa sair do país para se tornar qualificado. Importante reforçar, não disse que não seja importante buscar conhecimento fora, mas futebol brasileiro se aprende no Brasil, não fora.
   
Me desculpem os mais radicais, mas organização tática não é sinônimo de futebol europeu. Nossa seleção sub-20 comprovou que a receita é organização tática com o jogar brasileiro, estimulando aquilo que temos de diferente em relação ao mundo. No 11x11 universal, ninguém tem o 1x1 como jogador brasileiro, não há lugar no mundo onde a criatividade seja tão evidente e tão possível de ser estímulada com em nossos país. Chega de defender o "pimbolim (totó)" europeu! Hora de re-construirmos e reforçarmos "nosso jogo", de concentrarmos nossas atenções nos "novos novos", esquecer os "novos velhos" e mostrar ao mundo que aqui tem futebol, sim sinhô!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Marcação por Zona e a Copa do Mundo de 2014

Sem dúvida, essa é a Copa da consolidação da marcação zonal, mas não aquela antiga "individual por zona", não aquela Zona com os 10 atrás do meio campo "passou pegou". Estamos falando de marcar o espaço, de negar determinado espaço à equipe adversária, dificultando o jogo em profundidade ou mesmo bloqueando aquela circulação no campo defensivo. Estamos falando entendimento da estratégia, de modelo de jogo, de "jogo cerebral".




A preparação, a muito deixou de ser essencialmente física, como ainda alguns "teimosos" acreditam, não se limita a recuperar atletas em fim de temporada do futebol europeu. Aquelas seleções que buscaram construir, acima de tudo, um jogar que pretendem para a Copa e aboliram o "circo" do satisfazer interesses midiáticos, têm mostrado um desempenho interessante neste sentido. Defender espaços, ter a bola como referência, determinar as ações adversárias, prever e induzir os adversários e seu ataque, são aspectos que são bem observados em uma defesa a zona e que grande parte das seleções, e não necessariamente as favoritas, têm apresentado, por isso podemos afirmar que, em âmbito mundial, o futebol está evoluindo, é um processo irreversível, quer queiram, quer não!











Contudo, sem um mudança na concepção metodológica não haverá resposta "em campo", sem entender que futebol é mais do que a soma das partes, fica difícil acompanhar o crescimento do futebol nestes tempos. Do contrário, quem ainda quiser depender de talentos individuais, que também já foram engolidos pelo ótimo jogo coletivo de algumas seleções, e cujo, seu país ainda insiste em permanecer com o velho, arcaico e ultrapassado circo midiático, "vão ficar ou já estão pra trás"!






domingo, 15 de junho de 2014

COPA DO MUNDO E A GLOBALIZAÇÃO DOS CONCEITOS DE JOGO


Começou a Copa do Mundo no Brasil e começamos, todos nós, profissionais, comentaristas e torcedores, a analisar, discutir e especular sobre o jogar de cada seleção. Nestes dias iniciais de competição, aquelas diferenças técnico-cognitivas(e me permitam nomear assim pra não incorrer no equívoco do gestual isolado, me perdoem os colegas de trabalho), ou seja, as diferenças individuais continuam evidentes entre os tradicionais campeões mundiais frente as seleções de menor expressão. Contudo, é nítido que, no que se refere à organização geral das equipes, os 5 momentos do jogo(defesa, ataque, transição atc-def, transição def-atc e bola parada), essa diferença é ínfima, pra não dizer nula.




Equador, Costa Rica, Bosnia-Hezergovina, Suíça e Costa do Marfim que o digam! Seleções bem organizadas, com bloco médio ou bloco baixo, jogando em amplitude (Bosnia) ao reconhecer o adversário com uma primeira linha defensiva mais os meias defensivos que não favorecia contra-ataque ou jogo direto. Ou mesmo o jogo em profundidade (Costa do Marfim), valorizando bem o perfil e cultura do jogo africano, e ainda a eficiente transição da Costa Rica que venceu com autoridade seu jogo de estréia.




Infelizmente, e é preciso de que sejamos justos, lembrar que as sul-americanas Argentina e Brasil não empolgaram pelo primeiro jogo, espaçamentos excessivos e dependência de alguns jogadores que se isolavam foram bem observados durante a estréia destas duas favoritas ao título. 
O mais importante é nos atentarmos para essa mudança de paradigma que vêem ocorrendo ao longo das últimas copas e assim separar o que é jogar organizado e "organização de indivíduos", o chamado sistema de jogo, aqueles números que servem para facilitar a vida dos comentaristas. 

Neste sentido, aproveitar bem a preparação é mais do que utilizar parafernálias tecnológicas, que têm sua importância em determinado contexto. É mais do que reunir os "melhores caras" ou os"caras certos" (como prefere Mourinho), não é um jogo de soma de individualidades. 





Estratégia e organização vão fazer a diferença e isso não é mais exclusividade das grandes seleções, que estão sentindo em campo que a superioridade não é "tão superior assim"!

terça-feira, 18 de março de 2014

OBSERVAR O JOGO COMO CAMINHO PARA GANHAR

Uma das grandes dificuldades nos clubes brasileiros e hoje, o grande espaço a ser ocupado e investido no futebol é a observação técnica.
Mas o que observar? Como observar?


A obra "Observar para Ganhar - O Scouting como ferramente da treinador" nos dá algumas diretrizes interessantes.
A livro do professor Nuno Ventura  mostra alguns caminhos e nos convida a pensar a respeito de como organizar e tornar funcional este processo que ainda não possui o seu devido espaço na grande maioria dos clubes brasileiros, tanto do ponto de vista de "observar em volta" como o monitorar a "prata da casa".
Definir bem o que se pretende com a observação já é um bom começo.  Estabelecer um "norte",neste processo, é fundamental. No entanto, entender o real significado do Scouting é uma premissa que precisa ser bem entendida: De acordo com Ventura Scouting é o "ato ou efeito de observar; consideração atenta de um fato para conhecer melhor".
Assim, conhecer aquilo que se está observando, seus pormenores e definir as informação que são relevantes é claramente o ponto central desta tarefa.  O clube, desta forma, precisa ter bem definido suas diretrizes desde o desempenho coletivo até aquilo que se espera de um jogador recém-formado em suas divisões de base. É preciso ser pontual, é preciso abolir as expressões vazias de informação pertinente apenas porquê determinado atleta fez algo de bom num determinado recorte de tempo.
Ventura também expõe em seu livro que "o Scouting parece dividir-se em 3 fases: Preparação (onde se define o que se quer observar; como e onde se vai observar; quem vai observar), Recolha da informação - observação- (reporta à observação propriamente dita), e, Análise da informação/planeamento (depois de recolhida a informação, é analisada e usada para planear o microciclo semanal e para analisar a performance dos jogadores)".
Estabelecer um roteiro, portanto, ajudar a evitar "achismos" e subjetividades exacerbadas, aproxima as idéias e entendimento do observador daquilo que se pretende realmente verificar, daquilo que o treinador e/ou clube querem saber. Expressões como "fulano joga muito", "aquele time é só chutão e correria" ou mesmo "não vi nada de diferente" não acrescentam em nada daquilo que precisamos saber a respeito de equipes ou jogadores. As informações precisam ser relevantes e de pronta utilização nos treinamentos. Ou seja, é preciso entender com funciona o processo de treino e como devem ser inseridas estas informações.  Um fator bem definido por Vítor Frade segundo Pivetti (2012) deve ser mencionado: "A imprevisibilidade é condição indispensável a ter que enfrentar nos jogos que é resolvível tanto melhor quanto a maximização da redundância e a maximização da variabilidade, que são a expressão do objetivo sistemático a perseguir na melhoria da qualidade, o que resulta da exponenciação do princípio metodológico da progressão complexa." Ou seja, interfere no como serão fragmentados os princípios de forma propensa à aquisição de certos comportamentos em função do que se pretende, inserir as informações desde o início da preparação para próximo jogo.
Assim, identificar comportamentos específicos face à imprevisibilidade do jogo e, a partir disto, estabelecer um "plano de voo" em função deste comportamento observável e definido, bem como pontos estabelecidos para serem observados é o grande desafio desta área de atuação, principalmente quando falamos de futebol brasileiro.
Portanto, aos clubes, estudem e valorizem esta área em seu departamento de futebol, desenvolvam instrumentos específicos a realdade e circunstâncias vividas e, aos treinadores, tenham bem definidas as informações que são complementares aos modelo de jogo almejado e desenvolvido!

Referências bibliográficas
PIVETTI, Bruno - Periodização Tática: O futebol arte alicerçado em critérios - São Paulo - editora Phorte - 2012
VENTURA, Nuno - Observar para Ganhar - O Scouting como ferramenta do treinador - PRIME BOOKS - 2013




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

OS "PAIS DA CRIANÇA". QUANTA SOBERBA! QUANTA ARROGÂNCIA!

     Chegado o ano da Copa do Mundo no Brasil, momento em que seremos centro de atenções internacionais, tenho acompanhado já faz algum tempo, de forma descarada e vergonhosa, a quantidade de postagens, comentários e até reportagens de profissionais do futebol chamando a si mesmos como os "pais da criança" no que se refere à modernidade em metodologia de treinamento. Beira ao ridículo profissionais mais experientes falando que já faziam isto ou aquilo já há muitos anos, gente falando que treina com bola desde o primeiro dia pensando que isto é ser "Específico", quando na verdade é "específico" e desdenhando de quem chega atualmente no futebol com o que realmente vêm a ser a concepção sistêmica do treinamento.
           Parece que dói o ego destas pessoas, pensar em assumir que o futebol precisa evoluir e abandonar o dualismo corpo e mente, dói quando pensam em assumir que o preparador físico tradicional e a preparação física não determinam mais a direção do treinamento por si mesma no que se refere à periodização e sim o jogar a que se pretende, ou seja, o componente tático como norte do processo. Para eles e inadmissível não ser mais os "todo poderosos", os "donos do treino".  Chamam a si de protagonistas do desempenho e se esquecem que não trabalham sozinhos, se acham mais importantes do que o grupo multidisciplinar do qual fazem parte, se colocando em grau de importância equivalente ao do treinador, em alguns casos, lamentavelmente se consideram até mais a figura mais importante do elenco.




           Com isso, ao invés de lançarem mão da humildade e assumirem pelo menos que podemos melhorar e que existe um caminho mais interessante em direção ao alto desempenho real a que exige o futebol, se escondem sob a alcunha de "Pentacampeões mundiais". Ou seja, o status é o mais importante, o "título" de proprietários de conhecimento ou a pose de "mestres" do assunto, como autoridades, é o que interessa! Custe o que custar!
        Todos querem ser o "pai da criança", ninguém assume que passou pelo treino convencional, que amadureceu para uma forma mais integrada de trabalho (ainda não sistêmica) e que o próximo passo, o futuro, a tendência irreversível em  termos de avanços metodológicos, a chamada Periodização Tática será a redenção em termos de conceitos de treinamento para o futebol brasileiro. Ainda se conseguirem assumir, vão se intitular os "entendedores do assunto", com se já o praticasse desde a época do Rubens Mineli, Telê Santana, Osvaldo Brandão ou Formiga. Se for para puxar a fila, eu o faço: Já utilizei de métodos puros com prioridade em meus treinos, assumo que no passado adorava Matveev, me encantava com os métodos intervalados de treino e como eu conseguia "acabar com a raça" de meus atletas com esses métodos extenuantes, sem sentido para o futebol e que hoje eu abomino. Bom já passei por isso, com todos os defeitos que posso ter, a soberba de achar que não preciso aprender ou a arrogância de pensar que sei tudo, estas, não fazem parte da lista.
            Um aviso aos "pavões" de plantão, mais respeito com os novos profissionais que estão chegando, eles sim vão mudar este quadro. Como diria um professor na época da minha graduação: "Quem é bom não precisa ter medo do mercado de trabalho". A boleragem já era, os marqueteiros estão com os dias contados, é como diz aquela música "...tudo passa, tudo sempre passará..." 
        Aos poucos, uma geração de profissionais vai ocupar o devido espaço com méritos, formação e honestidade. Faltará apenas a modernização da gestão, aí sim poderemos falar que nosso futebol é o melhor.
Grande abraço



              
             

sábado, 28 de dezembro de 2013

FUTEBOL PROFISSIONAL - mensagem para 2014

Para onde estamos indo:

Já faz meses desde minha última postagem, faltou assunto? Não! Aliás são muitas as pessoas que postam a respeito das mesmas coisas, seria muito pretensioso de minha parte querer acrescentar alguma coisa com tanta gente esclarecida pra falar de metodologia, treinos, periodização tática, força bláblábláblá....
Este blog foi criado com o intuito de levantar questões relevantes, possibilitar um relacionamento com as pessoas que atuam no futebol e aprimorar o exercício da síntese de idéias. E desde então acredito ser este o post mais importante publicado neste blog.


Sem dúvida, o grupo "Periodização Tática no Brasil" (Facebook) atendeu minhas expectativas no que seria a adesão de um número significativos de membros "pensadores", aqueles que buscam questionar, discutir e se preocupam com a disseminação do pensamento crítico e sistêmico no que se refere à metodologia de treino no futebol. Claro, nada que se compare ao grande e extraordinário projeto dos competentes administradores da fantástica Universidade do Futebol, idealizada pelo professor João Paulo Medina. Isto sim podemos chamar de inovador, de discutir as questões mais importantes e de um real  pensar as verdadeiras mudanças que precisamos para o nosso futebol. Afirmo, com toda certeza, que este é o grande veículo de informações embasadas a respeito de futebol na atualidade neste país, ou melhor, o único!


Mas quais as mudanças reais que projetamos para o nosso futebol, ou melhor, por onde elas começam? Sabemos que a gestão precisa melhorar, o treinamento de base precisa ser repensado, o perfil dos treinadores tem que mudar, os profissionais precisam se qualificar, os clubes precisam se estruturar...etc, etc, etc....

Qual então é a origem dos nosso problemas? Por onde começar?
  Digo, ninguém gosta de por o "dedo na própria ferida". Que conhecimento e formação são importantes, isto ninguém discute, mas será que estamos olhando pra dentro e nos perguntando "que tipo de profissional eu sou?", ou então "o que eu espero ser profissionalmente?" e ainda "qual legado vou deixar para as próximas gerações?".

Pra quem pensa que a vida se resume a dinheiro (e eu também acho dinheiro importante), qualquer "bolada" que entrar na conta bancária, tudo bem, não interessa como e de onde ela vem. Pronto! Sua vida está feita! Se o futebol brasileiro está indo bem ou não, pouco importa para estas pessoas. Se você se encaixa neste perfil, boa SORTE! (entenderam o sorte em caixa alta, né?)

Para os "revolucionários" que querem tomar o poder das elites que comandam hoje o nosso futebol e proclamarem uma extensão da "revolução russa ou cubana" na CBF, federações ou clubes, ou seja, "caçar bruxas" até que não sobre nenhuma, boa SORTE também. Esses que vocês querem caçar, surgem e se espalham pelo "ar" (não é exclusividade do futebol, da mesma forma, não sou conivente com desonestidade). E a influência do grito de vocês nas redes sociais para se mudar algo e a da torcida que quer derrubar presidente de clube das arquibancadas é a mesma: Nada!

Como eu não tenho problemas em tomar partido (não faço parte dos chamados "vaselinas", apelido dado à pior espécie existente no futebol), acho que vou me encaixar melhor no "time 3" ou pelo menos vou me esforçar pra "passar no teste":
Então, existe ainda aqueles que realmente gostam de pensar e deixar um legado para as próximas gerações que trabalharão no futebol.  Não são hipócritas, sabem que futebol é um negócio. Ao mesmo tempo não são reféns do dinheiro (mesmo valorizando-o), pois sabem que existem coisas mais importantes (ética, metas pessoais, sonhos, valores morais). Sabem que sua "estrada" pode ser mais longa e árdua. Entendem o significado das palavras processo e projeto, ou sejam, se entendem com parte, não jogam no EFC(Eu Futebol Clube). Não julgam as pessoas, apenas as opiniões e não se omitem em expôr opiniões pois não precisam agredir ninguém para tal. Sabem que não sabem tudo (isto sim é fundamental, é engraçado quando vejo alguém falar que fulano sabe tudo) e por isto não têm medo de dizer:"eu não sei, vamos descobrir com quem sabe".
Desta forma, fica entendido que o grande desafio para 2014 é mudar a própria prática profissional, ações, pensamentos, paradigmas e condutas antes de apontar os erros de "todo o mundo".

Então fica aí minha mensagem para os colegas:

MUDEM PRIMEIRO A SI MESMOS ANTES DE ARRUINAREM A SAÚDE E PERDEREM O TEMPO TENTANDO MUDAR OS OUTROS. SE CONSEGUIREM ISTO, O MUNDO EM VOLTA DE VOCÊS VAI, COM CERTEZA, MELHORAR.

"Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito." Marcos 11:23






sábado, 11 de maio de 2013

O GRANDE "PAPO FURADO" DO FUTEBOL: "EU REVELEI!"

Historicamente no futebol, pelos grandes veículos de comunicação, pelas rodas de colegas de trabalho nos clubes e eventos esportivos, quando o assunto é a respeito de revelações no futebol, o teor da conversa é sempre o mesmo: Quem revelou quem? Ouve-se que Telê revelou fulano e beltrano, que Cilinho revelou, que Wanderley Luxemburgo, Cuca, Ney Franco, Felipão e outros revelaram. Comentaristas e torcedores gostam de acreditar nisso pois assim a conversa fica mais fácil, não precisam entrar naquilo que é complexo e foge de seu entendimento. É assim e pronto!
Na verdade aquela velha máxima é verdadeira: "Ninguém é pai de filho feio!"

E a versão que UM treinador é responsável pelo sucesso de algum jogador é a maior mentira (e injustiça) que ouvimos a todo momento no ambiente futebolístico, aliás, agora alguns empresários também tomam pra si esta responsabilidade. Amigos, entendam de uma vez por todas, jogador de futebol é produto do processo de formação do CLUBE, juntamente com seu histórico pessoal de família, ambiente em que cresceu, seu perfil, pois o próprio atleta ainda é o maior responsável por sua carreira. As categorias de base tem seu papel determinante de captar e preparar o jovem jogador até sua passagem aos profissionais que cumprem outra etapa deste processo que é de ambienta-lo ao meio de maior pressão competitiva e inseri-lo no contexto profissional.
É muita arrogância bater no peito e falar que revelou A, B ou C, felizmente já ouvi de grandes profissionais, como Paulo Autuori, reconhecerem o jogador como produto de formação do clube, ou seja, não podemos generalizar, a prepotência não contagiou todos, apenas uma parcela.



Importante mencionar que não significa que determinado treinador não tenha tido especial importância para alguns jogadores e que a convivência com este profissional não tenha sido significativa. É muito comum as pessoas possuírem em sua história de vida alguém que tenha exercido influência especial. Mas talento é talento e me desculpem os colegas que só acreditam nos taís conteúdos técnicos e táticos...e vale lembrar que não falei que não são importantes, mas como não há maturidade para discussão, parece que se falamos uma "coisa' somos contra a "outra coisa" achei importante deixar isto bem claro. Mas isso é assunto pra outro post! Bom o recado de hoje foi este.
Um grande abraço a todos!


sábado, 27 de abril de 2013

Formação, Futebol Brasileiro e Futuro - Os 3 "Fs" em pauta no cenário midiático esportivo nacional

Verdade nua e crua:


 Vamos falar agora dos assuntos do momento no futebol e vamos começar pelo processo de formação.. Conversando com colegas de profissão, seja em meu clube ou pelas redes sociais, me deparei com um tema muito interessante e que para mim já está mais do que "batido": FormaçãoXResultado, esta discussão nada mais é do que uma baita falta de comunicação e de entendimento, ganhar a qualquer custo, com estratégias super defensivas e anti-jogo não é a melhor forma de se trabalhar com nossos jovens e nem podemos esperar que sejam preparados atletas de alto nível desta forma. No entanto, esse "papo" de que ganhar ou perder seja irrelevante, tanto faz, não importa...ou coisas do tipo é um absurdo e uma falha grosseira no trato com o processo de formação. Como na vida as coisas na grande maioria das vezes não é nem branca nem preta, é cinza, é preciso que as pessoas entendam que o COMO formar é mais importante do que simplesmente formar. Alás formar pra quê, me respondam essa pergunta! E, COMO ganhar é mais importante do que simplesmente ganhar. O só ganhar como parâmetro pode mascarar muita coisa e nos enganar em relação aos nossos atletas. Aliado a isto, o futebol não é só ataque e nem só defesa, existem quatro momentos neste jogo (ataque, defesa, transição defesa-ataque e transição ataque-defesa), portanto, por mais que desejemos ou sonhemos, não voltaremos mais ao passado glorioso. Chega de nostalgia, história é bom, mas saudosismo já é doença. Nossa técnica, destreza e criatividade, características do jogador brasileiro e que faz com que tenhamos o melhor drible do mundo, só serão de novo nossa "marca registrada" se nosso processo de formação se aprimorar em todos os aspectos, dentre eles o foco no processo e a aposta em conteúdos técnico-táticos por categoria. Desta forma, podemos chegar ao segundo "F", já afirmando que o futebol brasileiro no presente momento virou chacota mundial, nossos "craques", jovens promessas exaltados pela imprensa e empresários não conseguem jogar contra defesas organizadas, ou defender com a linha de 4 avançada, enfim, cadê a formação do atleta brasileiro? Por isso podemos nos adiantar em relação ao terceiro"F": e o futuro? Vamos continuar caindo no ranking da FIFA e, que me desculpe os cegos patriotas, caindo com toda propriedade? Ou vamos nos mobilizar e buscar uma melhor solução para o futebol brasileiro? A gente assiste o jogo da seleção, aponta erros, descobre defeitos, culpa e responsabilizamos a todos. Mas será que estamos fazendo o que é melhor para o nosso esporte, falo de todos, falo de mim. A coisa é mais grave do que imaginamos, pois no momento em que escrevia este texto, assitia ao UFC 159 com toda satisfação possível e achando o melhor esporte do mundo, recheado de brasileiros talentosos, hoje, o esporte que mais cresce no "país do futebol". Confesso que adoro lutas, mas como eu gostaria de estar participando de um outro momento de nosso futebol, perto do Copa no Brasil. Hoje são muitos talentos...mas fora do campo, jovens,promissores e talentosos técnicos, preparadores físicos e gestores entre outros profissionais, mas que ainda não conseguiram mudar este cenário. Será ainda um processo de transição? Ou as mudanças urbanas evidentes com o fim do futebol de rua ou de várzea secaram nossas fontes e a gente sobrevivia disso mesmo? Felizmente não sou daqueles que só pensa em entrar pra "família", encher o bolso e esta tudo ok! Sucesso sim, conquistas sim, mas como sujeito do processo, nunca objeto.
Grande abraço aos amigos do futebol e obrigado pela atenção!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PROFISSIONAIS DO FUTEBOL SE ESQUECEM DO MAIS IMPORTANTE

Onde buscar os conteúdos que realmente vão nos ajudar no crescimento profissional


Se formos quantificar os cursos, os livros e artigos científicos disponíveis para apreciação e aprimoramento do processo de preparação de atletas de futebol, encontraremos vários e vários volumes das diversas áreas de conhecimento relevantes no esporte. Fisiologia, psicologia, biomecânica, aprendizagem motora, estatística, treinamento tático, periodização tática, treino de força, resistência, velocidade, prevenção de lesões, administração, gestão, marketing, direito e vários outros temas que nos fazem repensar aquilo que fazemos no dia a dia e sem dúvida alguma são muito importantes na nossa vida profissional. 
Pois bem, com toda informação já disponível e ainda a ser descoberta, faço aqui, sem medo das críticas e com toda convicção do mundo que isso tudo não passa de um belo biquíni, daqueles curtinhos é claro. "Mostram muita coisa, mas escondem o essencial."

 

Existem aprendizados que não passam pelo banco da escola, que não são produzidos no laboratório e que não são publicados em periódicos.
Talvez os mais importantes, aqueles que diferenciam as pessoas atingem a plenitude do sucesso profissional das outras, que passam a vida como "cachorros correndo atrás do próprio rabo". E não estou falando de dinheiro ou fama, pois pra quem não sabe, sucesso também é um estado mental e felicidade é uma questão de opção.
Estou falando daquilo que ronda constantemente nosso ambiente de trabalho, toma 90% do nosso tempo, inclusive quando vamos pra casa. Quantas doenças por stress surgem a partir disto!!!
De acordo com Daniel Goleman, "o fracasso e a vitória não são determinados por algum tipo de loteria genética: muitos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis e podem ser trabalhados; portanto, temperamento não é destino." Referente a isto, existem motivos maiores que a nossa própria carreira que nos fazem escolher os caminhos de nossa profissão e esses motivos são normalmente esquecidos pelas pessoas, o que torna muitas vezes inútil a busca voraz por títulos acadêmicos e conhecimentos científicos.
 Muitas das vezes aquela leitura mais "despretensiosa" é a que mais vai nos ajudar pensar nossas atitudes enquanto profissionais, muitas vezes uma simples conversa informal com os colegas mais experientes é que vai nos dar a luz que precisamos nos assuntos mais complicados em âmbito profissional. Política, atualidades, arte, filosofia e várias outras fontes, são onde podemos encontrar crescimento e abrir nosso leque de possibilidades, abrir nossas mentes para outros caminhos, paradigmas que vão nos colocar nos trilhos de nossa história. Falando em história, "Uma breve história do mundo" de Geoffrey Blainey, é uma excelente pedida pra quem quer entender a sociedade atual e compreender muitas coisas que desencadearam o que chamamos o hoje de mundo moderno. Não fará seu time fazer gols, assim como a coletânea de crônicas do Tostão intitulada "A perfeição não existe", que apesar de se referir a futebol, não nos ajudará no treino de segunda-feira. No entanto, a serenidade proporcionada por conteúdos assim, nos darão um maior dimensão do processo em que estamos inseridos. Nos ajudarão a viver um dia de cada vez, mas com toda intensidade!!!
 Aliás um dos ensinamentos que obtive nos tempos de serviço militar no Tiro de Guerra em Viçosa-MG numa citação do então Subtenente Freitas: "o segredo da vida e vive-la intensamente.
 Tenho certeza que cada um tem sua(s) fonte(s) de apoio e de inspiração, como um refúgio onde recarregamos nossas baterias para a maratona de nossas carreiras
Por quê não estar atento à miséria e fome mundial, aos problemas políticos de nosso país ou desmatamento de nossas florestas, se o verdadeiro legado que deixaremos será nosso exemplo de vida e não o troféu de campeão que também faz parte do processo, mas como consequência de nossos esforços e não o caminho em si.
O importante aqui é poder externar aos colegas de trabalho e amigos do futebol que podemos aproveitar mais nossas carreiras e viver e trabalhar com maior discernimento dos problemas reais que também são passageiros e encontrar a alegria no trabalho nas coisas mais simples, na boa convivência, no profissionalismo e na valorização do ser humano. É neste ponto que profissionais de real importância e expressão fazem a diferença, com sua cultura geral, com sua capacidade de lidar com pessoas de diferentes culturas, crenças e temperamentos. Se preocupam com o processo, com os caminhos a serem seguidos e tenham certeza: é o perfil do novo profissional de qualquer área!
Muito obrigado e excelente 2013 a todos!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PORQUÊ A PERIODIZAÇÃO TÁTICA AINDA NÃO SE CONSOLIDOU NO "PAÍS DO FUTEBOL"

Creio que, para abordarmos os caminhos da  Periodização Tática no Brasil, precisamos compreender como aprendemos a pensar, desde o início da fase escolar, passando pelos cursos de pós graduação até pelo ambiente do meio futebolístico.
Aprendemos desde cedo a análisar tudo para explicar cada fenômeno, bem como dissecar o ser humano em partes isolada para colocar os "pedacinhos" num mesmo saco e tentar produzir conhecimento. Paralelamente a isto, o futebol, com todo seu conservadorismo e prepotência pentacampeã, se nega a aceitar novos paradigmas e se mantém ao economicamente interessante ou politicamente seguro.
Na ânsia de parecerem modernos, muitos profissionais se defendem ao dizer que é possível trabalhar a Periodização Tática e a Tradicional juntas apenas por usarem bola nos treinos físicos ou pequenos jogos. É importante ressaltar que existem os dois caminhos para desenvolver performance de equipes de futebol. O que acontece na prática é:
Não dá pra andar pelas duas ao mesmo tempo, Quem mora em MG chega a SP pela Fernão Dias,  quem mora no RJ chega lá pela Dutra. Não é possível usar as duas estradas ao mesmo tempo. Por isso é importante entender o Cartesianismo e o teoria sistêmica e/ou Holísmo.



Descartes tinha visão analítica do universo, ou seja, o universo era composto de partes articuladas, como um relógio. Assim, o método cartesiano consiste em dividir o todo em partes e estudá-las separadamente.


A primeira regra é a evidencia: jamais aceitar uma coisa como verdadeira que eu não soubesse ser evidentemente como tal.


A segunda, a regra da análise: dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas partes quantas possíveis e quantas necessárias para melhor resolvê-las;

A terceira, a regra da síntese: conduzir por ordem meus pensamentos, a começar pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para galgar pouco a pouco, como que por graus, até o conhecimento dos mais complexos,.

E finalmente a quarta: fazer em toda parte enumerações tão complexas e revisões tão gerais que eu tivesse certeza de nada ter omitido”.

No dicionário de filosofia Abbagnano (1995) o Reducionismo é apresentado e definido como algo que foi reduzido, transformado, modificado, manipulado, em nome da ciência. Em modo geral na filosofia, o reducionismo é o nome dado a teorias correlatas que afirmam, grosso modo, que objetos, fenômenos, teorias e significados complexos pode ser sempre reduzidos, a fim de explicá-los, a suas partes constituintes mais simples. Outros termos também são utilizados para expressar a ideia de especialidade, como o mecanicismo e atomismo. Assim a ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomística. O reducionismo nada mais é que a redução de algo, ou seja, a transformação, a modificação, a manipulação de algo, afim de buscar a verdade ou a falsidade.




Ou seja, pela preparação tradicional, baseada pelo fisicismo ou tecnicismo, o treino físico melhora as capacidades físicas exigidas num jogo de futebol, o treino técnico analítico melhora isoladamente os fundamentos técnicos e o treino tático aprimora o sistema de jogo, a tomada de decisão dos jogadores etc. Mesmo quando falam em físico-técnico ou físico-tático, em que sugerem estar treinando tudo ao mesmo tempo, os adeptos acabam "dissecando" os treinos em variáveis e justificando o jogo como meio de melhorar determinada capacidade.




A palavra sistema denota um conjunto de elementos interdependentes e interagentes ou um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado. Sistema é um conjunto de coisas ou combinações de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário. (Chiavenato, 2000, p. 545)

O Sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função (Oliveira, 2002, p. 35).

O holismo significa que o homem é um ser indivisível, que não pode ser entendido através de uma análise separada de suas diferentes partes.


Com a globalização (integração do mundo; povos e cultura) compartilhamos não somente as oportunidades que ela oferece mas também os problemas. E para sua compreensão exige a aplicação da teoria sistêmica. Na busca de uma sabedoria sistêmica, que bem podemos interpretar como sendo a busca de uma visão holística. A visão holística pode ser considerada a forma de perceber a realidade e a abordagem sistêmica, o primeiro nível de operacionalização desta visão.

O enfoque sistêmico exige dos indivíduos uma nova forma de pensar; de que o conjunto não é mera soma de todas as partes, mas as partes compõem o todo, e é o todo que determina o comportamento das partes. Uma nova visão de mundo, que lhes permitirá perceber com todos os sentidos a unicidade de si mesmo e de tudo que os cerca.





O jogo pela visão sistêmcia é o principal motivo do treinamento e não é passível de ser reduzido em parte isoladas descontextualizadas, mas sim sob um específico ponto de vista fractal, ou seja, partes do JOGO. Pela PT, saltar mais, correr mais e mais rápido ou mesmo simplesmente executar um passe longo de forma repetitiva no pé do companheiro no outro lado do campo não têm nada a ver com o que se pretende no jogo de futebol. Pela PT pretendemos o aprimoramento do modelo de jogo, pelo jogo, em sua totalidade, em seus momentos e pela específicidade das tarefas desempenhadas qua vão exigir naturalmente de cada variável sem necessariamente ter que se pensar nelas em separado. Pela PT não há jogadores bem ou mal fisicamente, mas sim adaptados ou não com o jogo ou forma de jogar.

Fica evidente a diferença,  fica evidente a necessidade de números, testes, variáveis e quantas informações forem necessárias pelo pensamento cartesiano predominante e pelo conservadorismo do nosso futebol.
São formas diferentes de pensar, não estou falando em certo ou errado, mas sim de concepção, percepção dos fenômenos, do jogo.
E neste momento, o que aparece como aspecto mais importante pra mim, é a maturidade para embates e discussões e compreender o ponto de vista divergente. Aliado a isto, a ética para se comportar no mercado de trabalho, pois desta forma o esporte só tem a crescer.
















sexta-feira, 20 de julho de 2012

Verdade conhecida que só as categorias de base do Clube Atlético Mineiro fazem.

No futebol, os exemplos bem sucedidos de projetos envolvendo grandes clubes como Manchester United e Barcelona, são normalmente esquecidos por nossos gestores, principalmente no que se refere ao futebol profissional. Só que nas categorias de base a história se repete e o resultado final: Má qualidade na formação de atletas, que até pouco tempo foram consideradas ultrapassadas por experientes treinadores num programa de televisão de altíssima audiência na televisão. É neste sentido, que Clube Atlético-MG se destaca, sendo portanto, a grande prova que a estabilidade de profissionais tem fundamental importância no processo de formação de talentos e é um dos grandes motivos do sucesso atleticano na realização deste trabalho diferenciado. Treinadores da base, que têm acima de tudo que preparar os jovens jogadores para atingirem seus melhores índices de desempenho esportivo no futebol profissional, estão nos seus cargos no mínimo em torno de 4 anos. Esta estabilidade permite não só, a execução de projetos, mas também sua otimização. Este aprimoramento constante de métodos e relações de trabalho permite aos profissionais desenvolverem trabalho de excelência em suas categorias facilitando o fluxo de jogadores durante esta fase especial bem como construindo uma verdadeira gestão técnica para a base atleticana. Finalizo este curto post enfatizando que confiar no processo é mais importante do que apenas nos resultados pois, Felipe Soutto, Serginho, Bernard, Renan Ribeiro, Leleu, Paulo Henrique e outros que já deixaram o clube e fazem sucesso onde estão hoje, são os resultados mais importantes que um departamento de futebol de base pode obter e que um clube pode esperar de seu trabalho. Obrigado

quarta-feira, 18 de julho de 2012

PENSAMENTO REDUCIONISTA PREJUDICA EVOLUÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO

No dicionário de filosofia Abbagnano (1995) o Reducionismo é apresentado e definido como algo que foi reduzido, transformado, modificado, manipulado, em nome da ciência. Em modo geral na filosofia, o reducionismo é o nome dado a teorias correlatas que afirmam, grosso modo, que objetos, fenômenos, teorias e significados complexos pode ser sempre reduzidos, a fim de explicá-los, a suas partes constituintes mais simples. Outros termos também são utilizados para expressar a idéia de especialidade, como o mecanicismo e atomismo. Assim a ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomística. O reducionismo nada mais é que a redução de algo, ou seja, a transformação, a modificação, a manipulação de algo, afim de buscar a verdade ou a falsidade. Holismo (do grego holos que significa inteiro ou todo) é a idéia de que as propriedades de um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser explicadas apenas pela soma de seus componentes. baseada na teoria de que os organismos vivos e o meio ambiente funcionam juntos como um todo integrado. O pensamento sistêmico contrapõe o cartesianismo é uma forma de abordagem da realidade que surgiu no século XX, em contraposição ao pensamento reducionista, ou cartesiano, que visava a fragmentação. É visto como componente do paradigma emergente, que tem como representantes cientistas, pesquisadores, filósofos e intelectuais de vários campos. Por definição, o pensamento sistêmico inclui a interdisciplinaridade (BEHRENS, 2005, p.53) Quando fragmentamos o futebol em tático, físico, técnico, psicológico, etc. estamos desta forma limitando o estudo da modalidade a medida que fugimos do mais importante, o jogo. Considerando o jogo como situação-problema (11X11), em que as ações são orientadas ou não á aplicação dos princípios de jogo subordinados ao modelo de jogo, de maneira alguma pode ser fragmentado ou REDUZIDO á aspectos isolados com o intuito de explicar desempenho. De acordo com o técnico José Mourinho: "A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na globalidade da forma desportiva." O que é preciso ser entendido, é que não se trata de excluir profissionais ou pesquisas do futebol, mas sim evoluir a execução das funções bem como a relação entre as pessoas envolvidas para um nível mais exato, não de análise, e sim uma síntese dos conceitos de jogo para formação do modelo de jogo praticado. Neste sentido, o treino isolado das capacidades físicas em nada interfere no jogo e na execução de cada ação tática. Com isso, a única fragmentação que nos interessa é a dos momentos do jogo, desde que contextualizados com o modelo de jogo pretendido. Ainda com relação á Mourinho, o mesmo expõe que : "Quando vejo referências as pré-temporadas de nossas equipes e me mostram imagens dos atletas correndo, trabalhando em espaços que não são o campo de futebol, desde a praia ao campo de golfe, me coloco a pensar que estes são métodos superados, para não dizer arcaicos." Ou seja, é ilusório considerar picos de rendimento se a temporada futebolística dura de 10-11 meses, o jogo mais importante sempre é o próximo, portanto a intensidade máxima(que também não é explicada em valores numéricos quaisquer) deve ser praticada em toda temporada sendo a variação permitida apenas no volume e em seu fracionamento. A adaptação assim só ocorre com o treinamento dos princípios, sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios no contexto exato do jogo(intensidade). A intensidade, definimos assim, deve ser concebida em intima associação coma modelo de jogo, como bem preconiza Romano(2007), que ainda cita Carvalhal(2002) descrevendo que: "a intensidade emerge da necessidade de criar dinâmicas do nosso jogo" Pensar em valores percentuais porquê, se no jogo o que conta é o coletivo, é a melhor ação escolhida na MELHOR intensidade possível. Quando me refiro a futebol como esporte tático não estou, portanto excluindo o físico, o técnico e o psicológico pois estão implícitos no jogo onde a tomada de decisão e seu aprimoramento é prerrogativa constante ás outras adaptações. Reintero que correr mais e mais rápido, saltar mais alto ou levantar mais pesos nada tem a ver com performance no futebol. Penso, desta forma que, antes de pensarmos em produzir "craques" ou seleções destes "craques" e preciso rever qual estratégia de pensamentos estamos utilizando.. para avaliar, preparar e revelar atletas. O futebol espanhol, bem como o português e alemão não surgiram por "combustão espontânea", seus projetos possuem calhamaço. Suas pesquisas possuem um "norte" com desenvolvimento mais importantes do que descobrir a quantidade de corridas em alta intensidade ou saltos executados num jogo. E o que precisamos neste momento é um estudo mais minucioso sobre o que está acontecendo no futebol brasileiro, em que mudanças tímidas(em quantidade) mas perceptíveis(em qualidade) estão acontecendo na formação dos treinadores, mas só será significativa quando ocorrerem na concepção destes treinadores e outros profissionais do futebol.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O novo organograma da Comissão Técnica do Futebol

Buscando tornar mais eficiente e especifica o Staff de trabalho do departamento de futebol, seja profissional ou categorias de base, os clubes terão que passar por uma reflexão profunda a respeito das funções e da representatividade de cada um dentro do processo de formação e preparação das equipes para o alto desempenho esportivo. O treinador, enquanto chefe da comissão técnica, precisa ter ao seu lado auxiliares que alimentarão seu trabalho com as informações que serão parâmetros para cada tomada de decisão em relação á cada atleta e para sua equipe. Neste sentido, a partir do momento que for descoberto e estabelecido que a forma não é física e sim desportiva, qual será a função do preparador físico neste processo? Se refletirmos de maneira minuciosa, um jogador que atinge a marca 2350 metros no Yoyô test e outro que obtém apenas 1950 metros no mesmo teste, o que isso nos diz em relação ao desempenho no jogo? É preciso se perguntar se os testes físicos escalam, aprovam ou dispensam jogador. Se a respostas que encontrarem forem as mesmas que a minha, ou seja, não para as 3 questões, então podemos começar a rever o que representa o preparador físico para o futebol. Se pensarmos a respeito do desempenho para o futebol, o conhecimento tático do auxiliar técnico é de mais valia (este esporte é tático)e daremos por encerrada a primeira questão.  Com relação ao trabalho de prevenção de lesões, seja no trabalho de força realizado na sala de musculação, seja nos treinos de estabilização articular, a figura do fisioterapeuta passa a ter melhor adequação a esta função. Segundo aspecto também fechado.  Ainda relacionar o treino de transição do Departamento Médico para as atividades normais com o grupo principal. Sim, neste caso podemos afirmar que o profissional da preparação física tem sua importância no sentido de tornar o atleta apto para realizar as tarefas intensas exigidas no treino normal, ainda sim, nada que os fisioterapeutas não possam fazer. Essa ùltima me gerou certa dúvida. De qualquer forma, se quisermos realmente mudar,de maneira significativa, a metodologia, a concepção de desempenho e o processo de formação, é preciso abolir o reducionismo de nossa prática e desenvolver projetos com uma visão mais sistêmica e especifica ao nosso esporte.  Acredito que hoje, o nome preparador físico é só "fachada", muitos colegas já trabalham com um caráter mais contextualizado. Fica aí, a questão do espaço que deveria ser destinado ao departamento de fisioterapia. O tempo dirá! E fiquemos com essas afirmativas para reflexão: 1-Futebol é um esporte tático, não físico; 2-Futebol é um esporte tático, não técnico. 3-A técnica faz parte das ações de cada jogador, mas é precedida de tomada de decisão, ou seja, futebol ainda sim é claramente um esporte tático. 4-Entender o jogo é mais importante do que quantidade de sprints ou distância percorrida.Continuamos á reforçar a característica da modalidade. Assim, podemos nos atentar para a função do preparador físico e sua importância referente ao desempenho futebolístico, bem como á entrada do fisioterapeuta neste processo. Finalizo, com uma frase para as pessoas preocupadas com sua reserva de mercado: "O mundo detesta mudanças, contudo isto é coisa que traz progresso". Charles Kettering

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A VERDADE SOBRE A BASE DO GALO


Não sou de externar publicamente minhas opiniões sobre comentários de jornalistas esportivos, até porque respeito muitos todos os profissionais envolvidos no futebol, mas com o que li hoje na coluna do jornalista Chico Maia no jornal Super não poderia ficar calado. É lamentável como o referido jornalista, por o qual até o momento eu dispensava respeito e admiração pelo seu trabalho, abordou a questão da revelação do Bernard e do trabalho nas categorias de base do Atlético de forma geral. Vamos a alguns esclarecimentos: o Bernard era titular da base desde a equipe Juvenil, pela qual foi artilheiro da equipe no campeonato mineiro da categoria com 12 gols e atuações belíssimas. Quando subiu para o Júnior estava apenas com 17 anos e havia jogadores mais “velhos” de 19 e 20 anos jogando na sua posição. Justamente por entender que ele era um potencial que não poderia ficar “esperando” a sua hora de jogar e atendendo um pedido do presidente Alexandre Kalil de reforçar o Democrata-SL para tentar o acesso que o jogador foi “emprestado” para o clube de Sete Lagoas. Em relação à estatura dos jogadores da base, o jornalista está completamente equivocado. A prioridade nas categorias de base do Atlético é o talento, sejam esses atletas baixos, médios ou altos. Aliás, a média de estatura da categoria Juvenil (com a qual trabalho) é de 1,74m. Falar nisso, foi relatado que estamos priorizando “jogadores de fora” nas nossas equipes. Pois bem, eu gostaria de escalar para os leitores a equipe Juvenil do Atlético que é a atual campeã estadual e Tetracampeã do Future Champions FIFA : Rodolfo (Sete Lagoas/MG); Igor (Contagem/MG), Andrey (Prudente de Moraes/MG), Gabriel (Matozinhos) e Dêner (Três Pontas/MG); Yago (Belo Horizonte/MG), Marcelo (Sete Lagoas/MG), Rodrigo (Mucuri/MG) e Ânderson (Paracatu/MG); Carlos (Santos/SP) e Zé Alberto (Dourados/MS). Como podem verificar são apenas dois jogadores “de fora”, sendo a maioria de BH ou grande BH e isso é uma constante em todas as categorias. Apesar disso, gostaria de esclarecer que não olhamos “local de nascimento” para escolhermos jogadores para nosso clube, primeiro porque a grandeza e o escudo do Atlético nos permitem uma captação a nível nacional. Segundo porque entendemos que ídolos como Dadá Maravilha, Lola, Marques, Guilherme, Taffarel, Tardeli, Valdir, Diego Alves e agora Ronaldinho Gaúcho (só para citar alguns...) não podem ser “desperdiçados” só por não serem mineiros. Quanto ao comentário de que os nossos “olheiros” são “vesgos e caolhos” e ganham “fortunas” para captar jogadores, gostaria de esclarecer que os observadores técnicos da nossa base são todos ex-jogadores do clube (comandados pelo ex-volante Mauro e o ex-meia Éverton), tem uma média salarial similar aos outros clubes nacionais e nehuma gratificação por jogador encontrado ou vendido (apesar de merecerem, pois fazem um trabalho de grande qualidade). Já em relação à opinião do jornalista de que é um “absurdo importar dirigentes e técnicos para a base” é uma pena que se relacione de novo competência com “local de nascimento”. Até porque o jornalista deve ter inúmeros colegas de trabalho que são excelentes profissionais da imprensa mineira que não nasceram em Minas Gerais, mas que trabalham com muito orgulho nesse estado. Gostaria de dizer que moro há 10 anos em Belo Horizonte, casei com uma mineira de João Monlevade, meu título eleitoral e carteira de motorista são daqui e “adotei” essa maravilhosa cidade para morar. Vim pra cá para estudar na fantástica e renomada Universidade Federal de Minas Gerais porque é a única do Brasil que oferece mestrado em Treinamento Esportivo e sendo uma instituição FEDERAL está aberta a todos os brasileiros que queriam desenvolver conhecimentos. É preciso respeitar mais os profissionais que militam nas categorias de base dos clubes mineiros, todos com excelente formação e caráter, e que trabalham com muito profissionalismo e seriedade porque sabem que há uma torcida por trás que espera tudo de nós. Torcida atleticana, a verdade sobre a base do Galo é essa: somos o clube no Brasil com o maior número de jogadores formados em casa no elenco profissional e gerações muito promissoras por vir, temos jogadores convocados para a seleção brasileira em todas as categorias e nos torneios nacionais e internacionais estamos sempre chegando, para conferir basta fazer uma visita a nossa vasta galeria de troféus. Não vou aqui enumerar títulos porque isso até não é o mais importante no processo, mas fomos até agraciados com o troféu Globo Minas 2012 pela conquista do Tetracampeonato do Future Champions FIFA. Eu realmente não sei o que está por trás de algumas opiniões, mas dessa vez não pude ficar calado. Principalmente porque fui um dos treinadores que apostou no talento do Bernard nas categorias de base e o colocou para jogar. Ter que ler que o Bernard só está no profissional porque o jornalista Chico Maia “mandou o presidente olhar” ele jogando no Democrata é um atentado a inteligência do torcedor e um desrespeito a quem realmente “amassa o barro”. Para finalizar dou uma sugestão: convidem alguém da base para falar em algum programa esportivo sobre todo esse processo, ou até melhor, perguntem ao Bernard.
Diogo Giacomini
(Técnico do Juvenil do Clube Atlético Mineiro)
                                                                     



sábado, 9 de junho de 2012

A PERIODIZAÇÃO TÁTICA E CONTRIBUIÇÃO DO PROFESSOR BRUNO PIVETTI AOS PROFISSIONAIS DO FUTEBOL BRASILEIRO

A recente obra, lançamento da Phorte editora e de autoria do professor Bruno Marques Fernandes Pivetti "PERIODIZAÇÃO TÁTICA, o futebol-arte alicerçado em critérios", possui valor incomensurável aos profissionais que pretendem investigar o desempenho de uma perspectiva complexa mas real e fiel ao grande sistema chamado Futebol. Precisamos, neste país, pensar a respeito de quais as variáveis são realmente relevantes na determinação do desempenho de cada atleta e de sua equipe. Preparadores físicos precisam se questionar se os testes físicos escalam, aprovam ou reprovam atletas de futebol, se correr muito é correr certo e se o tal GPS mensura função tática, cognição e padrão de jogo face á complexidade de um esporte coletivo da magnitude espacial e de jogadores nele inseridos. Pivetti (2012) defende que "pode-se afirmar que o futebol segue a lei inexorável da economia, ou seja, o deslocamento realizado não deve nunca ter a pretensão de ser máximo ou mínimo, e sim justo. Ao se deslocar aquém do necessário ou o máximo possível não garante que os pressupostos táticos de rendimento estejam sendo cumpridos". Assim podemos considerar que, um alto nível de condicionamento aeróbio ou de aceleração em espaços reduzidos, não garantem rendimento ao atleta, o que não quer dizer (e isto é preciso destacar) que são aspectos irrelevantes ou com vantagem nula, mas que existem aspectos que são hierarquicamente de influencia mais acentuada e que ao "produto final" geram maior peso. É importante nos atentarmos ao ponto que existe toda uma cultura futebolística no futebol brasileiro que não pode ser perdida, mas sim organizada. Ainda, precisamos lembrar que passamos longos anos de nosso futebol tentando criar "receitas de bolo" com um reducionismo agressivo á formação incidental de nossos jogadores que sem dúvida têm qualidades especiais de improviso e de dribles não vistos em outras partes do mundo. Por esta linha de pensamento, acredito na importância desta obra aos jovens profissionais do futebol, pois a construção de um novo paradigma será fundamental para reinventarmos e recriarmos o "velho futebol brasileiro". Não se trata de extinguir metodologias, pois se trataria de mais uma "ditadura tecnicista". Nos referimos aqui á ruptura com a rígida e limitada maneira reducionista de pensar. PARABÉNS PROFESSOR BRUNO PIVETTI! Obrigado

quarta-feira, 11 de abril de 2012

FORMAÇÃO DE GOLEIROS NO ATLÉTICO-MG E OS PROFISSIONAIS ORIUNDOS DA BASE.

Há dez anos trabalhando na base atleticana, acompanhei o desenvolvimento e projeção de várias carreiras. Entre treinadores, preparadores físicos e treinadores de goleiros, todos buscaram ao longo dos anos se preparar onde podemos considerar a melhor "escola" de profissionais dos futebol: As categorias de base.
Neste sentido, o goleiro sendo peça fundamental, sempre teve tratamento especial e destacado no Galo, e perante as melhores estrutura do Brasil, tem sem dúvida um dos melhores trabalhos de formação. E o conhecimento do processo sempre foi uma prerrogativa de nosso profissionais, em especial me refiro ao competente Willian José de Castro.
Willian construiu toda sua carreira na base e enfrentou todas as dificuldades da formação de jovens promessas, disputou competições nacionais e internacionais além de por várias ocasiões ter servido aos profissionais antes de se firmar com treinador de goleiros principal.
Ao contrário de muitos profissionais que contaram com a sorte e com o nome(deles ou de amigos)sempre buscou o aprimoramento profissional nos tempos de base e sem dúvida conquistou seu espaço por merecimento.
Nenhuma crítica após o clássico foi consistente, apenas emocional. Apenas porquê acharam mais fácil analisar assim. Principalmente os que equivocadamente acreditam que Renan foi o responsável pelo empate.
Felizmente como em outros casos de jovens promessas em Minas Gerais, o tempo vai nos dizer a verdade e tenho certeza que Renan Ribeiro e Willian Castro darão a volta por cima e provarão que no futebol "SANTO DE CASA É QUE FAZ MILAGRE".
Obrigado

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

AS CRÍTICAS DE MURICY RAMALHO E OUTROS TREINADORES ÀS CATEGORIAS DE BASE TEM MOTIVOS NÃO LEVANTADOS

    Quando se ouve treinadores de futebol profissional falarem sobre a importância das categorias de base, muitas vezes pra reclamar de um possível trabalho deficiente em algum aspecto, fica apenas no ar que alguma coisa pode estar errado com o trabalho de formação dos clubes e uma análise mais lúcida e esclarecedora se torna necessária para evidenciar realmente os fatos a quem realmente se interessa e acha importante esta questão.

      A avidez por novos talentos no país que tradicionalmente já produziu grandes jogadores faz com que imprensa, clubes, federações e a até torcedores pressionem pela aceleração do processo de formação querendo transformar exceção em regra. Se disseminou neste país a concepção extremamente equivocada de que jogadores com 18 anos têm obrigatoriamente que estar prontos e em condições de vestir a camisa das equipes principais de seus clubes praticamente "matando" a categoria sub-20 e amputando uma fase de suma importância no processo de formação de atletas. Isso, considerando que para muitos jogadores esta maturidade competitiva chega por volta dos 23 anos de idade, reforçando a falta de competições sub-23 que deveriam fazer parte do calendário nacional e estaduais do futebol, obrigando os clubes a criarem mais uma categoria dentro de seu projeto de formação. Pra quem gosta de exemplos práticos, é bom observar alguns jogadores que se "desligaram" cedo de suas equipes de origem e hoje são imprescindíveis em seus clubes atuais. (Não citarei pra gerar maus entendidos por quem não sabe ler ou entender um crítica)
      Ainda, analisando a respeito das categorias de base, penso que existe diferença entre categorias de base e trabalho de base. Todo clube tem categoria de base. São as divisões por faixa etária, sub-13,sub-14,sub-15, etc. Mas trabalho de base, envolvendo projeto de formação, com aplicação dos conteúdos técnicos, táticos e físicos, mais análise de perfil psicológico e familiar e acompanhamento escolar constante, padrão de trabalho com metas e objetivos definidos com um entendimento da gestão de processos aplicada ao futebol, ufa! E olha que não falei tudo...POUCOS CLUBES DEVEM TER ISTO BRASIL!!!

        É importante não esquecer também dos jovens treinadores que treinam os garotos como se fossem profissionais, preocupados(equivocadamente) com resultados e com seu emprego. Se enganam e muito, quando se respeita a aplicação de conteúdos de treinamento e conceito de jogo nas fases de formação a tendência de conquistas é maior, não compreendem que cada idade responde melhor a um tipo de treinamento específico e ainda reclamam que falta jogador no mercado quando o que falta e a vontade de trabalhar individualmente as deficiências dos jovens jogadores.
     Continuando, e lembrando que tem clube sendo criticado só porque foi vice-campeão 3 vezes na categoria sub-20 (quisera eu esses 3 vices, tem time faz anos se contenta com 10º lugar nestas competições), clube com um excelente trabalho, por sinal. Enfim, esta cultura dos resultados não obtidos pelo profissioanl sendo transferidos pra base é que "mata". Os garotos são aprovados, mas com a "corda no pescoço"! Pra quem tem dificuldade de entender(e sempre tem alguém), explico: As vitórias também são importantes na base, mas o caminho pra se chegar a elas é muito mais importante.
        E mais uma questão pra encerrarmos esta discussão com "chave de ouro": Normalmente quem tem discurso negativo referente às categorias de base, não passou pela sua escola, não treinou garotos do sub-13 ou sub-17, e/ou não tem formação adequada pra isto. (não estou citando nomes, mas se servir pra alguém, minha posição está definida).
        Enfim, existe motivos diversos sob responsabilidade de clubes, treinadores, federações e a todos envolvidos neste cenário preocupante do futebol brasileiro.
          Obrigado

      
  


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ATLÉTICO-MG2X1BARCELONA - O QUE OS CATALÃES MOSTRARAM NESTE JOGÃO

Em Dezembro de 2010 na primeira edição da Future Champions, competição-FIFA realizada na cidade de Belo Horizonte até 2014 e na África do Sul, o sub-17 atleticano enfrentou nada menos que o poderoso Barcelona pela primeira fase do evento.
Num jogo emocionante com vitória do Galo por 2x1 e que jogamos como sempre como uma grande equipe de futebol e como a massa espera de quem veste a camisa preta e branca, identifiquei algumas questões já observadas na equipe principal catalã e que reforçam meu pensamento no que se refere a processo de formação de atletas.
jogo entre Atlético-MG e Barcelona pelo Future Champions
Durante o jogo, em momento algum foi visto desespero dos espanhóis que priorizavam saída bola com passes curtos, sem chutão, sem medo de perder a bola na defesa. Isto já demonstra que é possível formar defensores que sabem sair jogando com qualidade, o direito ao erro é permitido aos jovens jogadores que estão buscando maturidade para grandes disputas.
Em momento algum eles abdicaram do ato de atacar, o que tornou o jogo bonito pois o sub-17 atleticano também joga ofensivamente.
O anti-jogo não fazia parte do jogo do Barcelona, o fairplay sim era evidente e eles provaram que o futebol pode ser um jogo viril e de "cavalheiros" ao mesmo tempo.
Assim, reforcei meu pensamento que o foco no processo em relação aos resultados é o caminho (e não o oposto) seja por onde nós brasileiros precisemos compreender para otimizar o processo de formação. Mais do que títulos (que também são importantes neste contexto), o caminho para se chegar a eles é que define o bom e o mau trabalho na base.
Talvez algumas pessoas tenham dificuldade em perceber este conceito, pelo não conhecimento esportivo, pela interferência emocional clubístico durante os jogos ou ainda pelo medo da repercusão de uma possível derrota e o que ela pode causar para a imagem do diretor do clube ou treinador.
Enfim, são barreiras a serem vencidas por quem administra o futebol e por quem tem a função de formador de talentos para o futebol.
Acredito que um entendimento maior em Gestão de Processos e sua aplicação no esporte desta área de conhecimento tão conhecida dos engenheiros de produção e administradores de empresas ou profissionais da técnologia da informação, ou mesmo um esforço dos cursos superiores, ou federações para discutir o tema com os clubes possa preencher esta lacuna gigantesca em nosso futebol.
O que precisamos compreender é que é necessário iniciar um movimento de aprendizagem constante, sentar com humildade no banco da escola com a motivação de quem precisa aprender e de quem está disposto a crescer.
É preciso desenvolver conceitos de uma verdadeira Escola de Futebol e entender que mais importante do que ganhar ou perder é como ganhar e como perder!
Obrigado